Milagres de N.Srª d'Ajuda fazem história
Diversos religiosos, incluindo o padre Manoel da Nóbrega, deixaram relatos escritos sobre a aparição da imagem de Nossa Senhora d'Ajuda, a construção da igreja da santa e a água milagrosa que brotou aos pés da igreja. Em sua “Crônica da Companhia de Jesus no Estado da Bahia”, de 1864, o padre Simão de Vasconcelos conta que um velho lenhador, habitante de um rancho nas redondezas da costa, subiu um dia ao ápice da montanha com o objetivo de encontrar melhor madeira com que pudesse restaurar alguns portões de sua cabana, quando esbarrou num fragmento de rocha: era a milagrosa santinha.
De joelhos, o simples homem tomou-a nas mãos e retornou logo à sua casa, colocando a imagem numa cavidade da parede de seu humilde casebre, enfeitando-lhe com flores diversas. Todo o resto do dia o homem se pôs a rezar, até dormir, vencido pelo sono. Logo ao acordar dá por falta da santa e volta ao mesmo local da véspera, onde lá estava a imagem, na mesma posição. O lenhador traz a santinha de volta e a coloca no oratório. Torna a rezar e a dormir e ao abrir os olhos, nada da imagem.
Pela terceira vez a encontrara e compreendera o seu divino propósito, e, inspirado talvez pelo céu, transfere sua cabana para o lugar do precioso achado, hoje ocupado pelo templo. O lenhador torna-se então um ermitão e passa a peregrinar em torno, fazendo curas milagrosas, cujos proventos se destinavam ao levantamento de uma igreja para a santa, à qual deu o nome de Nossa Senhora d'Ajuda. Ajuda era também o nome de uma das três caravelas que trouxeram os primeiros jesuítas para o Brasil em 1549: Conceição, Salvador e Ajuda. |