A descoberta: acaso ou intenção?
O descobrimento oficial do país está registrado com minúcia. Poucas são as nações que possuem uma “certidão de nascimento” tão precisa e fluente quanto a carta que Pero Vaz de Caminha enviou ao rei de Portugal, Dom Manuel, relatando o “achamento” da nova terra. Ainda assim, uma dúvida paira sobre o amplo desvio de rota que conduziu a armada de Cabral muito mais para oeste do que o necessário para chegar à Índia.
Teria sido o descobrimento do Brasil um mero acaso? É provável que a questão jamais venha a ser esclarecida. No entanto a assinatura do Tratado de Tordesilhas, que, seis anos antes, dera a Portugal a posse das terras que ficassem a 370 léguas (em torno de 2.000 quilômetros ) a oeste de Cabo Verde, o conhecimento preciso das correntes e das rotas, as condições climáticas durante a viagem e a alta probabilidade de que o país já tivesse sido avistado anteriormente parecem ser a garantia de que o desembarque, naquela manhã de abril de 1500, foi mera formalidade: Cabral poderia estar apenas tomando posse de uma terra que os portugueses já conheciam, embora superficialmente. Uma terra pela qual ainda demorariam cerca de meio século para se interessarem de fato. |