Referência do passado e estímulo ao futuro
Em Porto Seguro , que no seu bem conservado Centro Histórico guarda o padrão ali colocado em 1503 por Gonçalo Coelho ou em 1526 por Cristóvão Jacques (dados históricos divergem sobre esse fato), que fez o primeiro reconhecimento do Brasil, os mais afoitos e curiosos da história podem alugar um barco e, munidos da Carta de Pero Vaz de Caminha, recuperar hoje, com os escritos do escrivão Caminha, uma visão muito próxima daquela que tiveram os navegadores lusos em abril de 1500. “No sábado de manhã o capitão mandou fazer vela e fomos demandar a entrada a qual era muito larga e alta, a mesma ancoragem é dentro tão formosa e tão segura que podem ficar dentro dela mais de cem navios e naus.”
Hoje, na parte baixa da cidade, está o pulso de Porto Seguro. Nas suas praças e avenidas multiplicam-se os bares, as lojas e os restaurantes. No mar a sedução dos passeios, na Passarela do Álcool, a memória dos índios bebedores de cachaça, emoldurada por casario antigo de cara lavada numa euforia de cores que transmitem alegria a qualquer mortal. Em frente às ruínas do antigo fortim ergue-se as estátua de Pedro Álvares Cabral, rodeado de treze estrelas em mármore com o nome dos capitães da frota.
“Esta terra, senhor (...) traz ao longo do mar, em algumas partes, grandes barreiras, algumas vermelhas, algumas brancas e a terra por cima é toda praia rasa, muito plana e bem formosa.” Bastará acrescentar, para atualizar a Carta de Caminha que há “nessa terra de muitos bons ares” várias vilas com casas baixas de telhados vermelhos, onde vive um povo simpático e acolhedor que fala a língua portuguesa e guarda a memória dos marinheiros de Cabral como referência do seu passado e estímulo ao seu futuro. |